Queres tocar viola amarantina?

Queres tocar viola amarantina?

É verdade, a viola amarantina é um dos instrumentos que faz parte da oferta formativa do Curso Instrumentista de Cordas e Teclas ministrado no Centro Cultural de Amarante. Mas a oferta não se esgota aqui. Recordamos que os outros são: Guitarra, Guitarra Portuguesa,  Violino, Violeta, Violoncelo, Contrabaixo e Piano. Do mesmo modo, no Curso de Instrumentista de Sopro e de Percussão, o aluno pode optar pelo Trompete, Trombone, Trompa, Tuba, Flauta Transversal, Oboé, Clarinete, Saxofone, Fagote, Percussão e Bateria.

A viola amarantina é um instrumento que faz parte da herança cultural portuguesa, muito divulgada e utilizada até ao início do século XX e ligada à expressão musical popular. Caiu num certo esquecimento, à semelhança de outras expressões populares do nosso país. Nos últimos 20 anos assistimos, no entanto, a um ressurgir do instrumento, através da sua execução em diferentes contextos, a um interesse crescente ao nível da etnomusicologia e à perceção de que é necessário proteger e resgatar do esquecimento uma parte importante da identidade cultural de um povo.

Também designada de viola de Amarante, viola de dois corações ou simplesmente viola, é típica da região do Douro Litoral e é uma das várias violas regionais que vão resistindo à evolução, mantendo praticamente inalterada a sua estrutura original. Diferencia-se da viola braguesa por ter uma escala mais comprida, até à boca, e ostenta dois corações, que se julga estarem ligados a uma história de amor envolvendo um trovador medieval. É tocada de rasgado, com todos os dedos percorrendo as cordas. A sua construção e uso estiveram um pouco estagnados, e a designação “viola” passou a ser usada para a guitarra de 12 cordas. O seu berço situa-se na bonita cidade de Amarante, pelo menos, assim nos faz crer o nome com que foi batizada. “A viola dos corações” era uma companhia indispensável no caminho para as mondas ou nos serões animados nas eiras, onde se espadelava o linho ou desfolhava o milho. Faziam-se as alegres ‘jogatadas’, às vezes duas e três vezes por semana, em que se cantava, dançava e tocava, sempre com a presença da viola amarantina. Acompanhava também a rabeca nas tradicionais ‘chuladas’, a par do bombo, dos ferrinhos e do violão.

 Descrição

O seu comprimento é de cerca de 90 cm. A boca tem a abertura com a forma de dois corações. A escala é saliente em relação ao tampo, e estende-se por cima deste até à boca. A cabeça geralmente é plana, ligeiramente inclinada em relação ao braço, e com uma forma retangular, com uma fenda longitudinal e com cravelhas. Excecionalmente, a cabeça pode ter a forma de leque, similar à guitarra portuguesa. O cavalete também é extremamente trabalhado. Geralmente, as ilhargas são feitas em nogueira, o tampo em pinho de Flandres, o braço em mogno, os interiores em casquinha ou choupo e a escala em pau-preto.

A viola amarantina possui 5 ordens de cordas duplas, as duas ordens mais agudas estão afinadas em uníssono, as três ordens mais graves estão afinadas em oitava. Algumas fontes dão a seguintes afinações: Lá Mi Si Lá Ré, do agudo para o grave, e a “Moda Velha” Lá Fá Si Sol Ré. A escala é plana e em face com o tampo, facilitando assim o “rasgado” e tem a particularidade de ter alguns meios pontos já sobre o tampo (além dos 10 da escala) apenas para as cordas mais agudas permitindo assim aumentar a amplitude. Talvez pelo facto de a aprendizagem da viola amarantina se basear na tradição oral, esta foi sendo tratada (por deturpação) como uma Viola Braguesa no que diz respeito à afinação, contudo, assim não é. Constatamos que há neste momento um esforço significativo em preservar a identidade desta viola, recuperando e registando as diferentes afinações e modos de tocar.

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dias 17  e  18 de julho